O ano é 2005, Chris Paul foi draftado pelo New Orleans Hornets e três anos depois ele muda a franquia de um dos piores times da liga, para uma equipe que consegue competir com os Spurs, Lakers, Mavericks e qualquer outro candidato ao título na conferência Oeste. O ano é 2011, Paul é trocado para o Los Angeles Clippers e em poucos meses ele muda a equipe como um todo e os transforma em candidatos sérios ao título por muitos anos.
O ano é 2017, Chris Paul é trocado para o Houston Rockets e na primeira temporada com ele, os Rockets conseguem 65 vitorias, assegurando não só a melhor campanha da NBA, mas também da história da franquia. Além disso, eles forcaram os Warrios de Kevin Durant e Stephen Curry a 7 partidas nos playoffs, foi o mais perto que eles chegaram de vence-los e, se CP3 não tivesse se machucado, a história poderia ter sido outra.
O ano é 2019, Chris Paul é trocado para o Oklahoma City Thunder em uma negociação envolvendo Russell Westbrook. Inicialmente, todos acharam que o Thunder não era mais um time de playoff e que Chris Paul estava acabado. Entretanto, ele provou aos críticos que eles estavam errados. Paul os liderou para uma campanha muito respeitável com 44 vitorias e 28 derrotas, assumindo o 5º lugar da conferencia. Eles forcaram seu antigo time, Houston Rockets, para uma serie de 7 jogos e quase os eliminaram.
E finalmente, o ano é 2020. Chris Paul foi trocado para o Phoenix Suns, um time que batalhou por muitas temporadas com poucas esperanças. Eles estão agora no topo da conferencia, competindo lado com os melhores times da NBA. Todo time que ele vai, qualquer lugar que ele chega, Paul os faz objetivamente melhores. Você consegue enxergar nos números, nas estatísticas avançadas e em qualquer métrica disponível, ele faz o time melhor. Ponto.
Após uma leve introdução do que ele fez em sua carreira, vamos dar uma analisada em como Chris Paul transformou o time do Phoenix Suns.

Os Suns são, pela primeira vez desde a época de Steve Nash, um dos melhores times da NBA. Não vou chamá-los de candidatos ao título, mas, estão no caminho. Então, por onde começamos? Primeiro vamos olhar para o time antes dele chegar, na temporada 2019-20. Nessa temporada eles também excederam as expectativas, quando muitos achavam que eles seriam uma das últimas equipes na classificação. Contudo, eles foram melhores do que isso, com uma campanha de 34 vitórias e 39 derrotas. Quando a liga foi para a bolha eles foram invictos com 8 vitórias. Foi uma prova pequena, mas que podia ser tirado algo bom.
Nós pensávamos que eles manteriam o elenco junto e ver como eles iriam em uma temporada totalmente nova. A química deles era incrível, e talvez esse seria o time deles no futuro. No entanto, na offseason, eles apertaram o gatilho das trocas e dois dos principais nomes do elenco, Ricky Rubio e Kelly Oubre Jr, foram trocados. Na primeira impressão não tínhamos muita certeza dessas trocas. Em uma perspectiva, Rubio e Oubre eram ótimos trabalhando no sistema e ajudaram bastante o time. Em outra, Chris Paul provou em OKC que ainda tinha jogo para gastar. Tinham alguns duvidosos, mas agora eles não existem mais.
Afinal, seu estilo de jogo “envelheceu” melhor do que a maioria dos armadores da história da NBA, seu entendimento do jogo é superior a quase de todo mundo. Monty Williams, treinador dos Suns disse: “Ele é o tipo de jogador que muda uma organização. Todo lugar que ele vai, ele os faz melhores. Essa é a identidade de Paul”.
Porém, o que acontece que o faz ser um jogador de tamanho impacto? Olhando seus números gerais (até o momento em que estou escrevendo), ele coloca 16 pontos, 8.8 assistências em 49% de FG%, com 39% do perímetro. Isso é realmente tudo que se precisa para fazer um time que não foi aos playoffs, ir para o topo da conferência? Os Suns não tiveram nenhuma contratação de peso além de CP3 e isso não é coincidência.
Nós dizíamos a mesma coisa sobre Steve Nash uma década atrás: seus números são ótimos, mas o impacto coletivo deles é ainda melhor. Toda vez que Paul vai para um time, ele não tenta se encaixar no sistema. Ele é o sistema. O ataque e defesa mudam completamente quando ele está em quadra. A habilidade de passar a bola, de visão de jogo e leituras de defesas são todas em níveis históricos. Todo lugar que ele vai, ele é o líder, mesmo em New Orleans, quando jogadores veteranos perceberam a genialidade de Paul e o deixaram tomar as rédeas do time, como David West. Ele foi alvo de matérias lá em 2009 do Bleacher Report e do Sport Science, onde ele era rotulado “O jogador mais inteligente da NBA”.
Como fica na quadra?
No ataque, a principal diferença que você vai ver é como os Suns estão cuidando melhor da bola. Todo jogador é lembrado por algo que fez, para Paul, é seu AST/TO. Esse é o número de assistências, dividido pelo número de turnovers que o jogador tem, criando assim um resultado final. Quanto maior o número, melhor é o controle e cuidado com a bola. Paul tem o segundo maior de todos os tempos no quesito, com 3.9, além do segundo maior rating ofensivo da história.
Os Suns agora têm o terceiro melhor AST/TO da NBA, ao lado de serem o quinto time que menos comete turnovers por jogo. Essa é uma evolução única que ele colocou. Seu impacto também é gerado em arremessos sem marcação. Os Suns estão no top 5 de times que mais arremessam sem marcação. Nós víamos isso com Rubio, mas como Paul é uma arma melhor para pontuar, as marcações precisam ser mais homem a homem e, assim, criando mais oportunidades para a visão de Paul. O rating defensivo deles mudou da água para o vinho com a adição de CP3.
Em 2019 eles ocupavam o lugar de 29° e em 2020 o 17° de melhor rating defensivo. Nesta temporada eles são os 3°. De fato, o sucesso deles não pode ser medido através de bloqueios e roubadas, na verdade eles estão em 29° em roubadas e 26° em bloqueios. A defesa deles é baseada em rápidas rotações, boa comunicação e simplesmente estando no lugar certo e na hora certa para contestar qualquer arremesso. Isso se deve a muito treinamento e muita liderança dentro de quadra.
Falando assim parece simples, mas era algo que eles não estavam conseguindo fazer, porque quando se é um time muito novo, fica complicado exercer esses entendimentos de uma forma consistente. Com Chris Paul eles entenderam a importância de uma disciplina defensiva organizada.
Atitude de líder
Paul não leva muito crédito nisso, mas se a gente for analisar todo jogador desse calibre que vai para um time novo, ou não quer ir para um time “sem expectativas”, nós vemos eles pedindo para ser trocados e coisas parecidas. Pela segunda temporada seguida, nós estamos vendo CP3 fazer funcionar um elenco novo, sem nenhuma expectativa e, o mais importante, gostando disso e trazendo resultados positivos. Dizendo “Me dê qualquer coisa, eu arrumo”.
“Ele é tudo que sempre quisemos, ele é genial”, disse Devin Booker. “Ele é um técnico na quadra, no banco, no vestiário e em qualquer lugar”, disse Jamal Crawford. Chris Paul é um dos jogadores mais completos e inteligentes da história, você gostando ou não.

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