No dia 26 de Janeiro, não só o mundo do basquete e dos esportes ficou em luto, mas como o planeta inteiro. Kobe Bryant junto com sua filha de 13 anos e mais 7 pessoas, sofreram um acidente de helicóptero e infelizmente morreram.

É difícil se despedir de alguém, que de certa forma esteve presente em grande parte de nossas vidas. Quando um atleta transcende seu esporte e vira um ídolo mundial, significa não só a excelência dentro da profissão, mas o carisma conquistador, a admiração profissional e pessoal que regem a vida de um jogador. Kobe era uma dessas raras situações, onde não bastava ser conhecido apenas por sua habilidade com a bola laranja, mas também pela mentalidade campeã, que ditou o ritmo de sua vida, dentro e fora das quadras.
Bryant foi um dos pioneiros indo para a NBA direto do ensino médio, isso normalmente acontecia com jogadores das posições de pivô e ala. Para um armador (como Kobe) ir direto, significava algo MUITO especial no potencial do jovem. Seus primeiros anos foram incríveis, desde o início deixou claro o que queria: Ser melhor que seu ídolo, Michael Jordan.
Um jogador que não temia ninguém, não importava o quão alto e forte fosse. Com o passar dos anos, o Lakers voltou ao topo com uma das melhores duplas de todos os tempos, Shaq se transferiu para a franquia e enfileirou, junto a Bryant, três títulos consecutivos.

Após a saída de O’neal da equipe, por alguns anos Kobe foi o “Lobo solitário” da NBA. Com temporadas fracassadas, ele colocava números absurdos nos jogos, com sequências surreais de pontuações. Em uma partida contra o Toronto Raptors, ele anotou incríveis 81 pontos, sendo a segunda maior marca de um jogador, em uma única partida. Até então ele usava a número 8, mas em 2007 isso mudou.
Adotando uma postura mais madura, de líder para seus colegas de time, Bryant elevou seu jogo para um estilo mais sábio e pensante. O jogador antes agressivo, que atacava o aro sem pensar duas vezes, agora era um experiente atleta, que entendia melhor o jogo ao seu redor e a necessidade de cada partida. A partir desse momento, a numeração foi de 8 para 24, uma clara referência ao ídolo máximo na infância, porém com o toque da personalidade de Kobe. Onde o mesmo demonstrava respeito, mas deixava exposto seu principal desejo, ser maior que seu mentor.

Pela primeira vez coroado o MVP da temporada no ano de 2008, o que seria o início de uma pequena dinastia de Los Angeles, Bryant voltou ao topo ganhando dois títulos consecutivos, mas dessa vez ele seria o protagonista. Em duas finais eletrizantes, a primeira contra Orlando Magic de Dwight Howard, a equipe de Los Angeles venceu a série em 5 jogos. Kobe terminou com médias de 32 pontos, 5 rebotes e 7 assistências. O destaque vai para a primeira partida, onde anotou incríveis 40 pontos.
Na segunda conquista, dessa vez contra o maior rival, Boston Celtics, em uma série completa com os 7 jogos necessários, para descobrir o desfecho daquela temporada, Bryant manteve médias de 28 pontos por jogo, 8 rebotes e 3 assistências. Novamente sendo o MVP das finais naquele ano. Essa foi mais uma amostra da resiliência não só de seu líder, mas como do time inteiro, que enfrentou um Boston estrelado por Paul Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen, três dos jogadores do mais alto calibre da NBA.
Alguns anos antes, na temporada 2007/08, o Lakers perdeu a final para o mesmo Celtics por 4 jogos a 2, criando em Bryant a sede pela revanche, e o mesmo disse em entrevista, que sabia que essa hora chegaria de alguma forma, e ele não estava errado.
Os últimos anos
Sofrendo com algumas lesões, ele teve temporadas difíceis para se recuperar, muitos pensaram que o ano de 2013 seria o último de carreira, mas se enganaram. Kobe voltou, mesmo com o Lakers não sendo mais uma das principais potências da NBA no contexto vivido, ele sempre se mostrou disponível, disponibilidade que foi cirúrgica para a lapidação da nova geração de jogadores.

Na temporada 2015/16, anunciou que seria a sua última, e aí vimos o que seria chamada a “Kobe Tour“, que o jogador seria homenageado em cada ginásio que iria jogar pela última vez. Torcedores rivais o aplaudindo, reverenciando a história de um jogador, que fora escrita perante os olhos da América e do mundo.
Na última partida, ele teve uma das melhores atuações de sua longa carreira, e nos relembrou do que era capaz. Um gênio, um assassino dentro de quadra, um campeão…esse era Kobe Bryant.

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