A evolução do estilo de jogo de Michael Jordan

Não é de hoje que reverenciamos a genialidade de Michael Jordan. Um jogador que marcou uma geração e revolucionou o esporte, o deixando mais popular no planeta por causa da excelência em cada jogada. Porém, quando ele chegou na NBA em 1984, tinham muitas questões sobre seu jogo. Todos sabiam do arsenal que ele trazia indo pra cesta, que com agressividade conseguia realizar enterradas absurdas, atléticas e diferentes até os anos 80. Uma das questões era seu arremesso. Na verdade, essa era a maior questão “Será que ele consegue arremessar?”. A resposta era óbvia, mas o que todos se perguntavam e criticavam ele, era da ineficiência do arremesso médio.

Vivendo uma época em que poucos jogadores eram exímios arremessadores da linha de três pontos, o arremesso de média distância era uma arma muito eficaz na contribuição da partida. A maior qualidade de Michael ao meu ver, sempre foi o espírito competitivo que vivia dentro dele. Mesmo em desvantagem, com jogadores de nível abaixo do esperado, ele sempre dava 100% da sua capacidade para ter a vitória em mãos. São incontáveis histórias de jogadores, técnicos, jornalistas e etc, que o provocaram e receberam uma resposta imediata, dentro de quadra.

Com essas críticas sendo feitas, ano após ano ele foi aperfeiçoando seu arremesso. Entretanto, o que fica destacado aqui nessa análise, é a evolução mental nesse aspecto do jogo de Jordan. Quando chegou na NBA, no meio dos anos 80, ele era aquele jogador que não arremessava muito, porém atacava com frequência a cesta. Mesmo com esse estilo, sem muitos arremessos, ele teve médias de 37 pontos na temporada de 1987 e 35 pontos na de 1988, as maiores de sua carreira. Isso era devido ao estilo de jogo do técnico Doug Collins, que era voltado especificamente em Jordan, o que dava pra ele um volume de jogo impressionante e uma sequência incrível de regularidade. Ele mantinha essas médias, sem ser eficiente no arremesso médio e de três pontos. Porém, após sua primeira aposentadoria, isso mudou.

No final da temporada de 1993, ele se retirou do esporte após ganhar três campeonatos seguidos. Cansado mentalmente, ele teve a notícia do falecimento de seu pai, o que só empurrou mais ainda a decisão. Ele ficou fora da temporada de 1994 inteira, porém no meio da temporada seguinte ele voltou, usando o número 45, já que sua camisa estava aposentada. Nesta temporada o Chicago foi eliminado pelo Orlando Magic nos playoffs. O QI de jogo de Jordan era tão superior, no lado competitivo, que durante o segundo tricampeonato (96, 97 e 98), ele ganhou o prêmio de cestinha da temporada, em todas os anos. Mas, não só o fato de o que ele fez, mas sim, como ele fez.

Como disse anteriormente, seu maior problema era o arremesso de média distância, o famoso “jump shot“. Sendo algumas vezes, não muitas, desvalorizado por isso, Jordan pegou esse defeito e o transformou em sua maior arma. Tendo a compreensão de que não era tão mais jovem, tão atlético e não tinha a mesma explosão pra fazer aquelas jogadas aéreas, que o consolidaram no início da carreira, ele aperfeiçoou seu arremesso e se tornou o melhor jump shooter da NBA. Provavelmente o melhor até hoje. Michael entendia que teria que diminuir as enterradas, os gritos da torcida em jogadas impressionantes, em arremessos totalmente eficazes, que o fariam campeão da mesma forma.

A classe com o que ele executava era algo surreal. A produtividade que ele tinha nesse tipo de arremesso, a versatilidade que ele conseguia realizá-lo, escancarava o medo dos adversários que literalmente, não conseguiam parar MJ. Mesmo sendo mais experiente, mais lento e menos explosivo. A sabedoria com que ele conduziu o estilo de suas atuações, foi impressionante. Essa é a parte mental de sua competitividade que citei no início. Ele sabia da reputação que carregava, e trabalhou arduamente, treinou repetidas vezes, para tornar um defeito, em sua arma principal no arsenal infinito que ele possuía de pontuar. E ele não só fez isso, mas como aperfeiçoou com o fadeway. Não se enganem, ele não inventou essa jogada. Porém, ninguém o fez com tamanha perfeição, popularizou a jogada, tanto como ele.

Phil Jackson alguns anos atrás, disse ao “The Max“: A parte mais fraca dele, ofensivamente falando, era de longe o arremesso. Então obviamente, ele treinou feito um louco até ser perfeito no quesito. Quesito esse que ele era martirizado durante a faculdade.
Essa é a habilidade de pegar uma fraqueza e transformá-la em força. Jordan estendeu sua dominância na quadra, conseguindo ainda atacar o aro, mas sendo muito mais assassino no mid-range shot.

Vamos começar em 1997, onde o segundo jogador que mais converteu arremessos médios foi Glenn Robinson, com 391. Jordan terminou a temporada com 547 acertos, onde o mínimo era 300 tentativas. Conseguiram observar o quão letal era? Nesse mesmo quesito, ele ficou em terceiro em eficiência, mesmo sendo o primeiro em produtividade. Jordan acertou 49.5% dos arremessos, o que é algo estonte, se formos levar em conta o contexto em que estava sendo feito. Reggie Miller, que é até hoje conhecido como um dos mais prolíficos arremessadores, acertou 42% dos arremessos médios naquela temporada. Ele tentou 484 vezes e acertou 205. Enquanto Michael tentou incríveis 1105 vezes e acertou 547, era algo único.

Naquela época, a NBA vivia a melhor era de pivôs de todos os tempos. Os melhores defensores estavam na ativa, onde o jogo era também mais físico. Sendo assim, a criatividade que Jordan tinha ao realizar, era de se admirar. Caindo para trás, cortando para dentro e arremessando, marcação dupla, lado direito, lado esquerdo, por cima do ombro e etc. A lista continua. Por isso que para mim, seu legado vai muito além de títulos e marca de tênis. Ele impactou o jogo de tantas formas, que chega a ser inimaginável. Não só quanto ele fez, mas a maneira que foi feito, é algo único, é algo histórico. É Michael Jordan.

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