O romantismo celta por Larry Bird

Não é de hoje que vemos pessoas mais velhas falando sobre o passado. Na verdade, isso é muito comum. Um dos assuntos abordados pelos mais experientes é o esporte, algo que nunca deixou de ficar em pauta na voz das pessoas. Não estou falando de saudosismo, pois isso se baseia na super valorização do passado, na mudança de fatos, com o intuito de desvalorizar os dias atuais. E o que faremos aqui é sim valorizar o passado, com um olhar até que poético. Até porque, em Boston, esse homem é considerado uma entidade.

A forma como Bird conduziu sua relação de amor com as pessoas de Boston, fãs do Celtics, foi de uma maestria única, que beirava o nível mais alto da paixão. Não só com os fãs, mas com a franquia. Pela maioria das vezes, seus passos na quadra, decisões e jogadas falavam por si só. Um jogador que claramente não era o mais forte ou o mais rápido, mas que evoluiu o nível de inteligência estimado para atletas da NBA. Uma apropriação do jogo única, que em várias oportunidades caiu o queixo de todos. Um arremessador exímio, que durante a carreira era de longe, o melhor no quesito. Porém por trás da imagem de bom moço, existia um gladiador.

Ao mesmo tempo que as jogadas genias, o toque suave na bola e a elegância no arremesso, estava também o suor e sangue. Larry é considerado por muitos (me incluo nisso) o maior “Trash Talker” de todos, ou seja, o maior provocador que já jogou. Ele juntava a classe com a violência verbal, o que era de assustar. O jogo psicológico que ele tinha para com os adversários era absurdo. Temos histórias como a de 14 de fevereiro de 1986, em que ele disse pra todos que jogaria a maior parte do jogo, só com a mão esquerda. Tudo isso apenas para provocar os jogadores do Trail Blazers. No final das contas, ele acertou 21 arremessos e 10 foram com a canhota. Terminando assim com 47 pontos, 14 rebotes e 11 assistências. Lendas como Reggie Miller, Kareem Abdul Jabbar e Julius Erving, já sofreram com as provocações do camisa 33.

Mesmo com os 11 títulos de Bill Russell, muitos consideram Bird como o maior e melhor jogador a vestir o manto celta. Tudo isso pela forma que ele representou o time, pela garra e genialidade alinhadas perfeitamente. Sendo contemporâneo de uma dinastia do Lakers, que era comandada pelo seu maior rival, Magic Johnson, ele conseguiu colocar um domínio que se equiparou ao de Los Angeles. Tanto individualmente como no coletivo, Bird bateu de frente em alto nível e em vários momentos, superou. Mas como percebemos isso? Primeiro pelo domínio e postura individual que ele teve desde a chegada em 1980. é verdade que Los Angeles seria campeão naquela temporada, e Johnson seria o MVP das finais, porém a partir de 1981 e até 1987, Larry entraria para o Hall dos melhores e se manteria ali.

Nesse tempo estimado, foram 7 temporadas e 5 finais. Dessas finais, 3 títulos e duas vezes Bird foi o MVP, e ainda temos o fato que até 1986, ele era ou o segundo ou o primeiro jogador na briga para o MVP da temporada. Em 81, 82 e 83 ele terminou em segundo na votação, perdendo para Julius Erving e Moses Malone duas vezes. E a partir de 84, indo até 86, ele foi o MVP da liga. Feito que só Russell e Chamberlain tinham feito, três vezes seguidas ser o jogador mais valioso da NBA. Mas a razão de muitos usarem o argumento de que ele como jogador, superou Johnson, é pelo fato de que ele só conseguiu vencer o prêmio, em 1987, quando Bird tinha se machucado e claramente não voltou ao nível de antes. Após isso, ele venceu em 1989 e 1990.

Larry além de um grande líder, ser o jogador mais inteligente da geração, era um defensor nato. Que tem 10 rebotes de média na carreira e 3x selecionado ao All Defensive Team. Ao todo suas médias são 24.3 em pontos, 10.0 rebotes, 6.3 assistências 49.6% de aproveitamento nos arremessos, 88.6% no lance livre e um PER de 23.5 (ele liderou a liga em duas temporadas no quesito). Ele foi um marco e revolucionou a NBA, a ESPN o consagrou com o sétimo lugar de melhores da história, o que nos resta é apreciar em vídeos e documentos, tudo o que fez dentro e fora das quadras.

Deixe um comentário

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora