Em 1991 um armador chamado Michael Adams, do Denver Nuggets, teve uma temporada numericamente magnífica. Teve 26.5 pontos por jogo, 10 assistências e 3.9 rebotes. Ele foi o primeiro a ter pelo menos 25 ppg e 10 ast desde 1973. Baseado nas estáticas brutas e médias, Adams está entre os poucos jogadores que tiveram uma temporada de 20 pontos, 9 assistências e 3 rebotes de média. Na lista, a temporada de 91 dele está na frente de temporadas de nomes como Magic, LeBron e Chris Paul, que nunca tiveram uma temporada 25 ppg e 10 assistências (LeBron até essa última temporada).
Mas isso significa que temporada de 91 de Adams foi melhor que o melhor ano de Magic, em 87? Onde ele teve 23.9, 12.2 e 6.3? E por quê as estatísticas avançadas dizem o contrário? É só uma pequena parte de algo que quero trazer aqui sobre estatísticas. O que são, o que não são e mais importante, como podem nos ajudar a entender o jogo.
Mostrar as fraquezas e forças dessa forma de analisa, em como eles são são parte da história e que sozinhas, muitas vezes não funcionam da forma correta. Pontos, rebotes e assistências, deixam de lado uma grande parte da história se vistas isoladamente na quadra. Na superfície elas não nos dizem nada sobre defesa, que é metade do jogo. Porém até com base ofensiva, o olhar fica incompleto.

A temporada de 91 de Adams, mesmo com os números, não foi melhor que a de Magic. E como isso é visto? Temos que ver a qualidade dos pontos, como os colegas de time são impactados por esses números e de que forma são conquistados. Pra sabermos como isso acontece, temos que sair da bolha de PTS, RBD e AST. Temos que enxergar tomada de decisão, movimentação, eficiência, distribuição de jogo e etc.
Estatísticas brutas são medidas e, como essas medidas ajudam o time a vencer? Um jogador pode ter números inflados e mesmo assim não vencer. Pegamos FG%, mas devemos compreender que cada jogador pontua de forma diferente. Em 1991 o time de Denver teve o 21° ataque mais eficiente da NBA, mesmo jogando com outro jogador de média de 25 pontos e um de 16.1. Já os Lakers foram o 5° time mais eficiente no ataque, mesmo com Magic jogando com um jogador apenas de 21 de média (James Worthy) e nenhum outro acima de 15 pontos. O impacto é medido de forma diferente, porque é criado de uma forma diferente. Adams teve 27/11/4, Magic teve 19/13/7. Porém, com contexto, sabemos quem teve o melhor impacto geral.
Esse é um pequeno exemplo em um mar de outros que eu poderia trazer. Só queria falar que as médias não nos contam muito. Uma parte, mas não muito. Esse foi o primeiro texto, uma introdução de como compreender números no basquete, dando um exemplo aleatório. Ao decorrer da semana trago outros textos mais completos pra gente entender melhor.

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